Editores defendem valorização dos periódicos em processos de avaliação da pós-graduação em Comunicação

Editores de periódicos na área de comunicação enviam carta aos coordenadores da área junto a Capes contendo 10 demandas no sentido de valorização do trabalho de edição, emissão de pareceres e publicação de revistas nos processos de avaliação de cursos de pós-graduação, além da revisão de critérios de avaliação Qualis de Periódicos

 

Veja a carta na íntegra.

 

Prezados Professores

Edson Fernando Dalmonte

Fábio Assis Pinho

Jonathas Luiz CarvalhoSilva

Coordenadores da área de Comunicação e Informação na CAPES

 

Nos dias 15 e 16 de outubro de 2018reuniram-se em São Paulo editoras e editores de periódicos científicos da área da Comunicação.

As editoras e os editores presentes se preocupam com o atual momento das políticas científicas no país, em especial em relação à área de Comunicação e Informação. Consideramos que sem periódicos fortalecidos e qualificados, a área – cujo item fundamental de qualificação dos programas de pós-graduação na atual ficha de avaliação da CAPES é a publicação em periódicos – tende a se enfraquecer. Atualmente as revistas convivem, em sua maioria, com baixo ou nenhum financiamento e se sustentam no trabalho voluntário, colaborativo e invisível dos pares. Sem a valorização dos periódicos e de quem trabalha para a sua continuidade, consolidação, qualificação e sustentação, as revistas tendem a minguar.

Como resultado desse Encontro e considerando que a natureza e a função dos periódicos não se confunde necessariamente com a lógica de funcionamento e gestão dos programas de pós-graduação (embora muitos estejam ligados a esses programas), os/as representantes presentes firmaram a intenção de atuarem conjuntamente em temas acerca da publicação, circulação e avaliação dos periódicos científicos da área. Para isso pretendem criar um Fórum permanente de editores/as de periódicos da área de Comunicação para ações coletivas e compartilhamento de experiências – inclusive com reuniões periódicas.

 

Nesta primeira reunião, os/as presentes indicaram algumas demandas permanentes e necessárias que devem ser realizadas em conjunto com todas as instâncias da área:

a) a inserção do periódico científico como tema em agenda permanente das entidades e respectivos eventos da área, inclusive tendo em vista a formação de novos quadros, tanto para os periódicos quanto para a área como um todo, especificamente no que se refere à formação continuada para editor, autor e parecerista;

b) a ampliação e aprofundamento dos debates na área sobre: internacionalização dos periódicos; questões éticas; ciência aberta;

c) o mapeamento contínuo das revistas, facilitando a publicização permanentemente atualizada da lista de periódicos, respectivos Qualis, bases de dados, perfil e política editorial/científica e demais informações, além de divulgação de chamadas específicas para submissão (datas, temas, dossiês, etc.);

d) a necessidade da valorização permanente do trabalho dos/as envolvidos/as com a produção dos periódicos.

 

Em função deste quadro, editoras e editores presentes elencaram as seguintes demandas urgentes:

1. Valorização do parecer para periódicos. A atual tabela de produção técnica da área não representa a importância dos pareceres e de pareceristas para o sistema das revistas, considerando-se o esforço intelectual e o tempo empreendido para aprodução de pareceres com a alta qualidade que é exigida pelos periódicos;

2. Valorização da produção de editoriais e textos de editores/as das revistas não apenas como produção técnica.

3. Valorização explícita do trabalho de editores/as, de comissões ou conselhos editoriais e de todo o fluxo produtivo. Considerou-se, tanto nesta alínea quanto na anterior, que o trabalho com periódicos científicos é tão importante quanto a publicação nestes;

4. Implantação de valores fixos para a produção técnica da área, já que atualmente há faixas – entre 1 e 10, 11 e 20, e assim por diante – que não contribuem para a transparência da forma de avaliação e dos critérios de atribuição dos valores.

5. Valorização explícita na ficha de avaliação dos programas na Capes da pontuação de periódicos pertencentes a programas de pós-graduação.

6. Observar a necessidade de que as comissões de avaliação Qualis de Periódicos sejam compostas ou contem com a assessoria direta de pesquisadores da área com experiência com os sistemas, fluxos, indexadores e políticas editoriais as revistas da área, de preferência ex-editores e editores;

7. Fim da exigência da porcentagem de doutores para obtenção de estratos mais elevados no Qualis, deixando esta exigência exclusivamente a critério das revistas, como acontece em outras áreas;

8. A partir do colocado na alínea anterior, refinar os critérios de qualificação das revistas, priorizando critérios como indexadores e transparência editorial, no sentido de a área montar os próprios indicadores. Para isso, sugerimos criar um grupo de trabalho da área Comunicação e Informação, com auxílio da coordenação de área da Capes. As editoras e editores de periódicos da área de Comunicação e Informação foram enfáticos na necessidade de definir os próprios indicadores da área, em sintonia com o que tem sido discutido junto às Humanidades.

9. Flexibilização dos critérios de indexação das revistas nos estratos A1 e A2, permitindo o ingresso para periódicos que disponibilizem os conteúdos em bases seletivas de acesso aberto (Scielo e Redalyc) e/ou em bases seletivas de acesso por assinatura (Scopuse Webof Science);

10.  Colocar, no documento de área em relação ao Qualis Periódicos, a importância do DOI como critério para qualificação das revistas.

 

Atenciosamente,

 

Editoras e editores de periódicos da área de Comunicação presentes ao encontro e editores e editoras de periódicos que assinam a partir da avaliação do documento:

Alterjor (USP) Anagrama (USP)

Brazilian Journalism Research (SBPJor)

Comunicação & Educação (USP)

Comunicação & Informação (UFG)

Comunicação & Inovação (USCS)

Comunicação & Sociedade (Metodista)

Comunicação Midiática (Unesp)

Comunicação, Mídia e Consumo (ESPM)

Estudos de Jornalismo e Mídia (UFSC)

Eptic (UFS)

Famecos (PUCRS)

Fronteiras Estudos Midiáticos (Unisinos)

Galáxia (PUC-SP)

GEMInIS (UFSCar)

Intercom – Revista Brasileira de Ciências da Comunicação (Intercom)

Interin (UTP)

Líbero (FCL)

MATRIZes (USP)

Parágrafo (FIAM-FAAM)

Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação (Unisinos)

Rebej (FNPJ)

Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas – Organicom (USP)

Revista Brasileira de História da Mídia (UFPI)

Revista de Estudos Universitários (Uniso)

Revista Latino Americana de Ciências de La Comunicación (Alaic - USP)

Rizoma (Unisc)

Signos do Consumo (USP)

Sur Le Journalisme (ULB, UnB, ULaval, CELSA-Sorbonne)

Tríade (Uniso)